Longe vão os tempos em que Herman José dava os primeiros passos da sua carreira, tocando viola baixo ao lado do maestro Pedro Osório. Portugal tinha acabado de chegar à democracia, e a reboque do espírito festivo da época acabou arrastado até ao então renascido Parque Mayer, onde era suposto só tocar e cantar na revista “Uma No Cravo, Outra Na Ditadura”. Durante os ensaios, os autores José Carlos Ary dos Santos e César de Oliveira reconheceram-lhe qualidades interpretativas, e deram-lhe pequenas 'pontas', cujo sucesso imediato fez com que o já então famosíssimo Nicolau Breyner apostasse nele em 1975 como parceiro na dupla “Feliz e Contente” - o seu primeiro grande êxito em disco.Com a edição de “Adeus, vou ali já venho”, somos também surpreendidos com deliciosas recreações de temas de sua autoria feitos para televisão, como “Hora H” e “Casino Royal”, ou a balada “Podia Acabar o Mundo” (estes dois últimos em co-autoria com Rosa Lobato de Faria), que quinze anos depois da sua criação, Nuno Santos escolhia para título e genérico de novela. Com igual rigor, Herman regrava temas escritos propositadamente para si por Carlos Paião, como “Mentirosa”, “O Meu Automóvel”, “Apaixonada” (que levou em 1984 a um Festival da Canção na Bulgária, cujo encerramento esteve a cargo de Roy Orbison), ao polémico “Tango a Portugal”, irónica e caustica critica ao nosso país de tanta coisa por fazer, que por ninguém querer, é nosso', e que 20 anos depois da morte desse génio da escrita, se mantém inquietantemente actual.Mas verdadeiramente surpreendentes, são os temas inéditos com letra e musica do próprio Herman. Compostos e afinados desde Janeiro deste ano, em muitas horas de “lay-off” televisivo, são três as 'pérolas' que vão dar que falar: “A Praia é Linda”, é tema candidato à 'pole position' das canções mais populares deste verão de humor quase picante e narrativa deliciosamente surrealista, recupera um rigor de escrita humoristica de que não nos lembrávamos desde a saudosa 'Canção do Beijinho'.
Este disco, é mais do que só um 'capricho de vedeta'. É uma homenagem de um 'homem dos sete instrumentos' com 35 anos de carreira, a uma das formas artísticas que mais valoriza: a música.
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